“As dificuldades são apenas oportunidades disfarçadas de dificuldades”
Algum tempo atrás li sobre um casal que perdeu sua filhinha acometida por leucemia. Em meio à intensa dor da separação a pergunta que não podia calar torturava seus corações: “Onde Estava Deus quando nossa filhinha morria naquele hospital?”. Tantos outros, em meio a terríveis sofrimentos também perguntam: Onde está Deus? Há uma afirmação no livro do profeta Naum que me motivou a pensar mais acuradamente sobre como Deus lida com o sofrimento humano. O profeta assegura que “o Senhor tem o seu caminho na tormenta e na tempestade” {Naum 1.3}. Quando Jonas, o profeta fujão, foi sacudido por violenta tempestade, no navio que seguia para Társis, o Senhor preparou-lhe um grande peixe para livrá-lo do afogamento e conduzi-lo na direção de Nínive. Quando navio adramitino onde viajava Paulo, o apóstolo, foi arrastado violentamente por um tufão de vento chamado Euroaquilão e encalhou no mar Adriático; a violência das ondas destruíam a popa do navio e estava prestes a naufragar, o Senhor preservou a vida de Paulo que agarrado a destroços do navio nadou até a ilha de Malta {Atos cap. 27}. Deus tem o seu caminho na tempestade, Ele nunca nos deixa só, jamais nos abandona na hora do sofrimento e no momento certo nos livra. E depois que a tempestade passa por nossas vidas deixando tudo fora do lugar temos a tendência de perguntar: “Por que Ele não me livrou antes?”. Certamente o Senhor tem as suas justas razões, mas costumo pensar que Ele usa as tormentas e as tempestades que avassalam nossas vidas para moldar nosso caráter à semelhança de Cristo. Deus usa as tribulações para ensinar preciosas lições a Seus filhos. É assim que Deus opera. Antes Deus fica conosco no meio da tribulação. Depois Ele nos tira dela. Deus forja na fornalha ardente da tribulação as coroas de ouro para galardoar seus servos. {II Coríntios 4.17 “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação.”}. Quando passarmos por uma grande provação, não a encaremos como derrota, lembremos que em todos os lugares difíceis que Deus nos leva, Ele está criando oportunidades para exercitarmos a nossa fé, de tal forma que ela produza resultados positivos e glorifique o Seu nome. Deus não vê as provações como dificuldades, mas como oportunidades. O sofrimento é o arado de Deus, que revolve as profundezas da alma para produzir a mais abundante colheita. O caráter cristão dos que se entregam a Deus é forjado em meio ao sofrimento. Paulo, escreveu várias epístolas enquanto estava na prisão. Homero, o célebre poeta dos gregos era cego! John Bunyan escreveu o incomparável “O Peregrino” encarcerado na velha prisão de Bedford, na Inglaterra. As dificuldades nos são enviadas para revelar-nos o que Deus pode fazer em resposta à fé que ora e trabalha. As mais belas flores crescem nas regiões isoladas das grandes montanhas; as pedras preciosas mais fantásticas passaram mais tempo na roda do lapidário. As estátuas mais famosas sofreram os maiores golpes de cinzel do escultor. Consideremos o exemplo do jovem Davi. Pela fé ele venceu um leão e um urso, e depois derrubou o poderoso Golias. Quando o leão atacou as ovelhas, Deus proporcionou a Davi uma oportunidade de exercitar a sua fé nEle. O leão era uma oportunidade disfarçada de dificuldade. De fato, toda dificuldade visualizada de maneira correta se torna em uma nova oportunidade de Deus para o nosso crescimento espiritual. Fiquemos firmes nas promessas de Deus até que Ele venha ao nosso encontro. Ele sempre caminha pela estrada de Suas promessas. Martinho Lutero dizia que “o verdadeiro crente crucificará a pergunta: “Por quê? Ele obedecerá sem perguntar.” A pergunta correta a ser feita é: “Para quê?”. Qual propósito tem Deus nesta provação? O que Ele quer me ensinar? Mesmo quando sofremos não devemos dar lugar ao desânimo. Ele é uma cilada sutil do inimigo. O desânimo abate e murcha o coração e o incapacita de acolher a graça necessária para suportar silenciosamente o sofrimento. Ele exagera o tamanho das dificuldades e o nosso fardo parece pesado demais para ser carregado. Certa vez alguém muito sabiamente pronunciou as seguintes palavras: “Não me importo se as coisas não vão muito bem enquanto caminho, pois estou indo para o lar celestial. O que pode acontecer é eu chegar lá bem cansado e ferido, mas a intensa alegria da acolhida me fará esquecer para sempre das dificuldades e sofrimentos da jornada”. Nunca se esqueça – O Senhor tem o seu caminho na tempestade.
Pr. Jadir Siqueira